Narrativas​ ​míticas​ ​do​ ​povo​ ​iorubá:​ ​a​ ​tradição​ ​dos​ ​Itan-Ifá​ ​na​ ​África​ ​e​ ​no​ ​Brasil

Autores

Palavras-chave:

Oralidade. Cultura Iorubá. Mitos

Resumo

O presente estudo aborda essencialmente a importância da oralidade na cultura iorubá, assumindo como objeto de análise os Itan-Ifá, isto é, as diversas narrativas de caráter mítico que circulam em meio a esses povos e entre aqueles que deles sofreram influência. Parte-se do princípio de que os iorubás, ao reconhecer e prestigiar a autoridade dos mais velhos, absorvem deles, pela via da oralidade, princípios, valores e saberes que organizam e explicam os papeis e a importância do homem e da sociedade, assim como do respeito que se deve dedicar ao outro, aos animais e à natureza. Portanto, não é exagero afirmar que a cultura iorubá faz uso da oralidade como importante difusora de suas tradições, valores e conhecimentos. Na sociedade iorubá "tradicional", que Reginaldo Prandi qualifica como "não histórica", o mito corresponde à chave para "alcançar" não apenas o passado, mas também o presente e o futuro. No caso dos lugares de culto afro-brasileiros em que a cultura iorubá se faz presente, vê-se esse mesmo privilegiamento da transmissão oral de saberes, a partir da qual histórias são elaboradas, eleitas, lembradas e rememoradas especialmente pelos anciãos e por adivinhos (babalaôs), que, legitimados por suas posições institucionais, encarregam-se de responder pela própria história de suas comunidades. Aqui o mito não representa apenas uma forma literária arcaica, que fala de um imaginário localizado num passado remoto, mas, sim, da própria estruturação de aspectos importantes dessa cultura.

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Publicado

2018-04-10

Edição

Seção

Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação - Seminário de Iniciação Científica - Painel