FLÁVIO JOSEFO E A TRADUÇÃO CULTURAL DO JUDAÍSMO EM GUERRA DOS JUDEUS: MEDIAÇÕES NO MEDITERRÂNEO GRECO-ROMANO
Resumo
Flávio Josefo, em sua obra Guerra dos Judeus, desenvolve uma narrativa de caráter representativo do Judaísmo, concernente a sua própria identidade como judeu, marcada pelo sacerdócio, Templo, formação bíblica, providência divina e a apropriação de categorias filosóficas gregas e retórica romana para uma tradução cultural do Judaísmo para leitores greco-romanos do século I d.C. Pelo objetivo de preservar a identidade judaica diante da destruição do Templo e da derrota militar. Para essa tradução, Flávio Josefo articula o sacerdócio e o Templo como centros simbólicos da identidade judaica, preserva sua autoridade sacerdotal e interpreta os eventos da guerra como consequência da ruptura moral do povo, em uma cosmovisão providencialista que combina julgamento divino e responsabilidade humana, ao articular conceitos greco-romanos. A adaptação cultural apresenta o Judaísmo como uma forma legítima de vida filosófica, compatível com a racionalidade e a moralidade valorizadas no mundo romano, ao empregar termos filosóficos e categorias culturais helênicas. A obra representa um testemunho da vitalidade do Judaísmo no século I, uma interpretação sobre o uso da história como instrumento de resistência cultural e afirmação religiosa, por intermédio de legitimações conceituais e interpretativas. Seu legado permanece relevante não apenas para os estudos judaicos, mas para a compreensão de como religiões antigas negociam sua representação no mediterrâneo, no contexto do Império Romano.
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