DO ALTAR AO MUSEU: A TRAJETÓRIA DAS IMAGENS SACRAS DE VEIGA VALLE NA CIDADE DE GOIÁS

Autores

  • Fernando Martins dos Santos

Resumo

A trajetória das imagens sacras de José Joaquim da Veiga Valle na Cidade de Goiás, parte de sua inserção original nas sociabilidades religiosas — altares, oratórios e procissões — para explicar como essas peças, centrais em ritos como a Semana dos Passos e a Semana das Dores, articulavam pedagogia tridentina, devoção popular e hierarquias sociais. Após a transferência da capital (década de 1930), a patrimonialização reconfigura o sentido dessas imagens: tombamentos, criação do Museu de Arte Sacra da Boa Morte (1969) e deslocamentos de peças dos templos para o acervo e instauram um novo regime de valor, no qual a mesma obra passa de objeto de culto a obra de arte e capital simbólico do território. À luz de autores como Nora, Choay e a ideia de “invenção das tradições”, o museu emerge como “lugar de memória” e produz uma sacralidade laica que preserva a matéria, educa o público e reforça a identidade vilaboense ancorada em Veiga Valle. Com isso, a sustentabilidade cultural não está em optar por culto ou patrimônio, mas em criar dispositivos de mediação que conciliem conservação e uso ritual — permitindo que as imagens continuem a operar, simultaneamente, como memória viva da fé e bens culturais a transmitir às futuras gerações.

 

Palavras – chave: Veiga Valle; Cidade de Goiás; patrimônio; museu; arte sacra.

Biografia do Autor

  • Fernando Martins dos Santos

    Doutor em História pela Universidade Federal de Goiás (UFG, 2023), com a tese intitulada: Veiga Valle: recepção em estudos de identidade e tradição (1940-2001); e mestre em Ciências Sociais e Humanidades: Territórios e Expressões Culturais no Cerrado pela Universidade Estadual de Goiás (UEG, 2018), com a dissertação intitulada: Veiga Valle: Da morte do homem ao nascimento do artista (1806-1983), graduou-se em História pela Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO, 2006). Atualmente, é professor de História na Universidade Estadual de Goiás (UEG), ministrando disciplinas relacionadas à História do Brasil e da América, com ênfase no período colonial, e atua na Secretaria Estadual de Educação e Cultura de Goiás, como professor de História. Suas pesquisas são dedicadas a temas como Veiga Valle, Cidade de Goiás, Arte Sacra, Tradição, Patrimônio e Identidade, explorando as interfaces entre arte, religião, memória e formação identitária. Além disso, investiga as expressões culturais do Cerrado, articulando história, território e memória para compreender as transformações socioculturais regionais

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Publicado

2026-04-10