DO ALTAR AO MUSEU: A TRAJETÓRIA DAS IMAGENS SACRAS DE VEIGA VALLE NA CIDADE DE GOIÁS
Resumo
A trajetória das imagens sacras de José Joaquim da Veiga Valle na Cidade de Goiás, parte de sua inserção original nas sociabilidades religiosas — altares, oratórios e procissões — para explicar como essas peças, centrais em ritos como a Semana dos Passos e a Semana das Dores, articulavam pedagogia tridentina, devoção popular e hierarquias sociais. Após a transferência da capital (década de 1930), a patrimonialização reconfigura o sentido dessas imagens: tombamentos, criação do Museu de Arte Sacra da Boa Morte (1969) e deslocamentos de peças dos templos para o acervo e instauram um novo regime de valor, no qual a mesma obra passa de objeto de culto a obra de arte e capital simbólico do território. À luz de autores como Nora, Choay e a ideia de “invenção das tradições”, o museu emerge como “lugar de memória” e produz uma sacralidade laica que preserva a matéria, educa o público e reforça a identidade vilaboense ancorada em Veiga Valle. Com isso, a sustentabilidade cultural não está em optar por culto ou patrimônio, mas em criar dispositivos de mediação que conciliem conservação e uso ritual — permitindo que as imagens continuem a operar, simultaneamente, como memória viva da fé e bens culturais a transmitir às futuras gerações.
Palavras – chave: Veiga Valle; Cidade de Goiás; patrimônio; museu; arte sacra.
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