NO MEIO DO CAMINHO HAVIA “O FOGO!” ENTRE O CERRADO E O RIO DO PEIXE: LAGOLÂNDIA, 14 DE OUTUBRO DE 1925
Resumo
As discussões partem do conflito ocorrido na praça pública do distrito de Lagolândia, em Pirenópolis (Goiás), ocorrido a 14 de outubro de 1925: o “dia do fogo”, como o episódio ficou designado. O fenômeno religioso ali presente, se materializava na figura de Benedita Cipriano Gomes, a Dica, como era reconhecida pelos que habitavam as terras da antiga Fazenda Mozondó, situada às margens do Rio do Peixe e pertencente aos parentes da moça, que à época já contrariava os interesses dos fazendeiros e consequentemente as práticas coronelísticas goianas e ainda da Igreja, uma vez que a fama de curandeira e benzedeira extrapolava os limites estaduais. Os debates e embates se avolumam em torno de Dica e culminam com as força policiais estaduais promovendo o “dia do fogo”, em uma noite chuvosa e de enchente no rio que junto ao Cerrado circundam a praça local e mantém viva, um século depois, as memórias de Dica, sepultada à sombra de uma gameleira. Recorrer-se-á a documentos e a bibliografia interdisciplinar no intuito de perceber narrativas que possibilitem compreender a comunidade de Lagolândia daquele contexto. Temos por espaços o Salão (moradia de Dica), a praça e o rio; e como personagens os diqueiros (seguidores de Dica) a Igreja e o Estado, ali representado pela força policial. O tempo é real e simultaneamente místico: uma noite que é “o dia do fogo!”
Palavras-chave: Dica, Dia do Fogo, Espaço Público, Ambiente, Religião.
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