INDIVIDUAÇÃO, ALQUIMIA E GNOSTICISMO EM DEMIAN: APROPRIAÇÕES DA PSICOLOGIA JUNGUIANA NA OBRA DE HERMANN HESSE
Resumo
Resumo. Este trabalho analisa apropriações da Psicologia Analítica de Carl G. Jung no romance Demian (1919), de Hermann Hesse, tomando a trajetória do protagonista Emil Sinclair como um processo de iniciação psicoespiritual e individuação. A obra é examinada na articulação entre psicologia junguiana, gnosticismo e simbologia alquímica. O objetivo é demonstrar como Hesse mobiliza personagens e símbolos arquetípicos para mapear a busca pela totalidade psíquica (si-mesmo), transcendendo a religiosidade moralista tradicional. A análise se apoia na premissa junguiana de que a alquimia e o gnosticismo funcionam como sistemas simbólicos que expressam o processo de individuação, a integração progressiva entre consciente e inconsciente. A dimensão espiritual (sagrada) do romance reside na crítica à Imago Dei tradicional e na valorização de uma experiência interiorizada do divino, que culmina no reconhecimento de Abraxas, o deus gnóstico total que une luz e trevas. As personagens centrais do romance – Kromer, Demian, Beatrice, Pistórius e Eva – funcionam como arquétipos ou emanações do inconsciente coletivo, representando estágios e forças catalisadoras na transformação de Emil Sinclair. Hesse concebe, assim, a imagem de Deus não como a perfeição moral externa, mas como totalidade psíquica paradoxal que reside no si-mesmo.
Palavras-chave. Hermann Hesse. Carl G. Jung. Gnosticismo. Alquimia. Individuação.
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