O que (não) aprendemos sobre a docência em filmes de escola

  • Ana Paula Domingos Baladeli UFJ

Resumo

O estudo a respeito dos discursos, seus sentidos e suas manifestações nas diferentes mídias, tem sido cada vez mais contemplado nas pesquisas em Linguística Aplicada. Os imaginários de docência veiculados pelo cinema incidem diretamente na forma como a profissão professor é caracterizada (DALTON, 2010), por essa razão, a análise de filmes sobre escola com professores protagonistas pode favorecer nas reflexões sobre a dimensão política e ideológica assumida pelo discurso cinematográfico. As narrativas fílmicas retratam crenças, significados e representações sobre personagens e situações, dado que demanda reflexões sobre a natureza do trabalho docente. Por entender a natureza social e ideológica de todo o discurso, Fairclough (2001), acredita que na condição de prática social, o discurso evidencia, divulga e naturaliza relações de poder e ideologias. O objetivo deste estudo é discutir os sentidos da docência retratados no cinema com base na Análise do Discurso Crítica (FAIRCLOUGH, 2001). Para tanto, foram selecionadas três narrativas fílmicas, The Emperor’s Club (2002); School of Rock (2003) e The Kindergarten Teacher (2018); que apresentam protagonistas anti-heróis e opostos ao clichê de professor idealizado e missionário. Os resultados indicaram que, mesmo bem intencionados, os protagonistas são caracterizados como arrogantes, egoístas que subvertem a ética profissional, dado que se contrapõe a imaginários idealizados de professores comumente veiculados no cinema. Concluímos que, em sendo o imaginário de professor missionário, ética e moralmente exemplar desconstruído, amplia-se as oportunidades em se problematizar no campo da formação de professores, a análise crítica sobre a natureza do trabalho docente no discurso cinematográfico

Publicado
2021-02-24