Escolas e rede: práticas comunicativas em contextos educacionais de línguas maternas brasileiras e as relações necessárias para uma “virada social” histórico-formativa

Escolas e rede: práticas comunicativas em contextos educacionais de línguas maternas brasileiras e as relações necessárias para uma “virada social” histórico-formativa

  • MANUELA SOLANGE SANTOS DE JESUS UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
  • Rosana dos Santos Soares UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA

Resumo

Os discursos sobre as práticas de linguagens e suas relações com as tecnologias digitais na vida cotidiana tem proporcionado (re)configurações às práticas escolares de ensino de línguas. Quando se trata de línguas maternas brasileiras, e também oficializadas, a saber o português e a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a inserção das tecnologias em práticas educacionais tem gerado formas de participação plurais, não-lineares e contextualizadas, cercadas também de inquietações e desafios. Inúmeras pesquisas relatam como o letramento digital aparece e favorece os processos de criação e de recepção dos textos, explorando aspectos como a multimodalidade, a hipertextualidade e a interação entre os sujeitos, sejam eles ouvintes e/ou surdos, contribuindo ainda mais à perspectiva dos letramentos sociais. Já que “os textos, digitais ou impressos, são dialógicos e polifônicos”, conforme afirma Zacharias (2016, p. 22), esses mesmos elementos são práticas comunicativas inteiramente associadas à vida em sociedade, também histórica e formativa. Em contrapartida, a adoção às inovações curriculares permeada pelo digital “exigem” mudanças na comunicação, novas lógicas e formas de interação. Em momentos como o atual, permeado pela pandemia da COVID-19, caracterizada pela Organização Mundial de Saúde (OMS) desde 11 de março de 2020, a(s) relação(ões) colaborativa(s) entre as linguagens, às tecnologias digitais da informação e comunicação (TDICs) e à prática pedagógica carecem situar-se e possibilitar o desenvolvimento da construção de sentidos mais globais sobre as questões sociais permeadas por estratégias e discursos persuasivos. O presente trabalho, ao elencar discussões sobre as práticas de linguagens em contextos educacionais de línguas maternas levando em conta as tecnologias digitais disponíveis, busca demonstrar como a presença das mesmas pode contribuir em/para uma formação crítica e consciente das (in)formações dos sujeitos, descentralizando espaços, posições e culturas. Ancorado no campo da Linguística Aplicada e fazendo uso de aportes teóricos como Carneiro (2001), Kress (2003), Santos e Pequeno (2011), Street (2014), entre outros, e com orientação teórico-metodológica no bojo de uma pesquisa qualitativa, busca-se compreender e problematizar determinados fenômenos e ações em termos dos significados conferidos nos contextos pesquisados sejam eles presenciais, virtuais, ou descritivos. Observa-se em tal trabalho, a notoriedade de novas discussões não só sobre a disseminação e popularização das redes e artefatos tecnológicos na educação, mas também as compreensões suscetíveis frente às constantes transformações que os contextos educacionais vivenciam, principalmente levando em conta as duas línguas maternas brasileiras aqui delimitadas.

Palavras-chave: Letramentos. Línguas maternas. Tecnologias.

Biografia do Autor

Rosana dos Santos Soares, UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA

Mestranda em Letras no Programa de Pós-Graduação em Letras: Cultura, Educação e Linguagens, na Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. Tradutora/Intérprete de Libras/Língua Portuguesa em Nível Médio, pelo Instituto Federal da Bahia, campus Santo Antônio de Jesus. Licenciada em Letras: Língua Portuguesa – Libras, pela Universidade Federal do Recôncavo da Bahia, Centro de Formação de Professores.

Publicado
2021-02-24